segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Especialistas dizem que Nordeste tem água, mas falta distribuição

 
A fome, sede e as perdas agrícolas enfrentadas, anualmente, por quase 20 milhões de brasileiros que vivem no Semiárido nordestino, poderiam ser evitadas se existisse um programa de abastecimento de água para a região nos mesmos moldes do Programa Luz para Todos.

O defensor da proposta, João Abner Guimarães Júnior, especialista em recursos hídricos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), garante que o novo sistema solucionaria, inclusive, os impactos agravados em anos com estiagem mais prolongada como o atual.

As cidades nordestinas estão enfrentando desde o último mês de janeiro uma das maiores secas dos últimos 30 anos. As previsões meteorológicas indicam que as chuvas só devem cair no Semiárido a partir do ano que vem.

"Tem água para consumo humano e animal, tem água sobrando. Tem estoques de água suficiente para atender plenamente, mesmo nesta época como agora. São 10 bilhões de metros cúbicos armazenados na região acima do Rio São Francisco, em grandes reservatórios", detalhou Abner. Segundo ele, um sistema adutor com capilaridade seria suficiente para atender a toda a demanda local, comprometendo menos de 20% da disponibilidade hídrica dos reservatórios.

Ao apresentar dados de armazenagem de água no Nordeste, durante audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados sobre o problema da seca na região, o pesquisador destacou que o Semiárido brasileiro é um dos sistemas ambientais mais chuvosos do mundo, mas o acesso à água não está democratizado.

"Os cerca de 60 mil açudes que têm hoje no Nordeste ficam lá, sendo reservados para consumo humano. Enquanto isso, 95% da água se perde em evaporação. Na hora que tiver um sistema integrado que traga água [das grandes barragens] para o abastecimento humano, você libera os pequenos açudes para a produção de feno", disse, ao criticar a falência do sistema de abastecimento da região.

"A solução para o período de vacas magras tem que passar pelo aproveitamento do período de vacas gordas. Seria o [programa] água para todos, que representaria uma revolução também para a agricultura. Isso custaria cerca de R$ 20 por ano, por habitante. É um custo menor do que o custo do carro-pipa. É um terço do valor da transposição do Rio São Francisco", afirmou.

A situação do Semiárido nordestino, segundo os especialistas, reflete falhas do cenário nacional. O Brasil concentra a maior parte da água escoada no mundo, mas enfrenta problemas de má distribuição: 72% estão na Região Amazônica; 19% no Centro-Oeste; 6% no Sul e Sudeste; e apenas 3% no Nordeste.

João Suassuna, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, lembrou que em períodos de estiagem mais intensas, metade da população local sofre com a seca e fome. "Oitenta por cento das secas do Nordeste ocorrem no miolão da região. E a seca não é por falta de água, mas pela má distribuição dessa água", criticou.

Segundo ele, a solução para o problema da seca deve ser baseada em medidas de convívio com as condições climáticas características da região. Para Suassuna não serão grandes obras que apontarão o fim do sofrimento da população afetada. As barragens instaladas na região Nordeste têm potencial de armazenagem de 37 bilhões de metros cúbicos.

"Mas não tem uma política para captar essa água e levar para quem precisa", criticou. "Há 18 anos sou contra a transposição [da Bacia do Rio São Francisco] porque vai chegar onde já é abundante. Vai abastecer represas nas quais as populações no entorno estão passando sede. Esta população vai continuar sofrendo com a seca e sendo abastecida por caminhões-pipa, mesmo depois da transposição".

No Ceará, por exemplo, as 8 mil represas poderiam armazenar 18 bilhões de metros cúbicos, segundo Suassuna. Pelas contas do pesquisador, apenas o Açude Castanhão, a maior barragem do Nordeste, seria capaz de atender a todas as cidades cearenses. A capacidade de aproveitamento do recurso também está acima das expectativas nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Edital prevê R$ 82,5 milhões para construção de cisternas de placas

O Banco do Nordeste publicou nesta terça-feira (6), no Diário Oficial da União, os editais de seleção pública para instituições privadas sem fins lucrativos construírem cisternas para água de consumo humano ou tecnologias sociais de acesso à água para a produção de alimentos.
Na segunda-feira (5), o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) assinou contrato de prestação de serviços com o banco para a operação do programa Água para Todos, totalizando R$ 82,5 milhões.

Para a construção de cisternas de água para consumo humano estão previstos R$ 65 milhões, suficientes para 28,5 mil unidades. Podem receber o equipamento famílias residentes na zona rural do semiárido, com renda per capita de até meio salário mínimo. São priorizadas aquelas enquadradas nos critérios de elegibilidade do Programa Bolsa Família.

Já para as tecnologias sociais de acesso à água para a produção de alimentos serão investidos R$ 17,5 milhões para a construção de 1,65 mil unidades. Só podem receber os equipamentos as famílias de baixa renda que já tenham sido beneficiadas com a construção de cisternas para consumo ou outra alternativa de acesso à água potável.

As propostas e os documentos de habilitação deverão ser incluídas até o dia 23 deste mês. A previsão é que o resultado final da seleção seja divulgado no dia 17 de dezembro.

Acesse aqui os editais do Banco do Nordeste.
Fonte: Ascom/MDS

terça-feira, 6 de novembro de 2012

PARCERIA ENTRE A DFDA/MDA-RN E O IFRN PARA EXECUÇÃO DO PRONACAMPO NO RN.




A Delegacia Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário no Rio Grande do Norte, realizou reunião hoje (06/11) na Reitoria do IFRN com o Coordenador do Pronatec (Bolsa Formação) Prof. Otávio e o Pró-reitor de Planejamento do IFRN Prof. Willis. O principal objetivo da reunião foi de apresentar ao IFRN a proposta do PRONACAMPO, suas demandas para o RN e iniciar as tratativas para parceria entre o MDA e o IFRN para execução do PRONACAMPO nos Territórios da Cidadania do Sertão do Apodi, Açu-Mossoró, Alto Oeste, Mato Grande, Potengi, Trairí e Seridó.

O Ministério da Educação (MEC) em parceria com Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no âmbito do Programa Nacional de Educação do Campo - PRONACAMPO estará ofertando o PRONATEC CAMPO, por meio do qual serão realizados cursos de educação profissional e tecnológica. Ou seja, cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) ou qualificação profissional, por meio da Bolsa-Formação Trabalhador e educação profissional técnica de nível médio, por meio da Bolsa-Formação Estudante.

Estamos no processo inicial para organização da ação do PRONACAMPO, estaremos nesta primeira etapa os cursos prioritários a serem oferecidos para o fortalecimento da agricultura familiar, serão: Gestão de empreendimento da Agricultura Familiar; Agroecologia aplicada à produção na agricultura familiar; Gestão de Sistemas Agroflorestais; Agroindústria; Cooperativismo. Realizaremos outros de interesse e em conformidade com as necessidades dos/as beneficiários/as e a capacidade de oferta das entidades ofertantes. A meta inicial prevista é de aproximadamente setecentas matrículas para os territórios.


Os cursos serão ofertados a três grupos de públicos, serão atendidos os técnicos de entidades prestadores de serviços de ATER cadastradas no SIATER-MDA; agricultores e agricultoras familiares , assentados de áreas de assentamentos de reforma agrária e do crédito fundiário e jovens agricultores familiares assentados, sendo atendidos pelo Bolsa Formação Trabalhador e Bolsa Formação Estudante.

A reunião deu encaminhamento para uma agenda de eventos nos territórios de visitas aos IFRN´s e reunião com os núcleos diretivos dos Colegiados Territoriais, já a partir do dia 26/11. (esta semana será construída a agenda). O próximo passa será a formação do Comitê Estadual do Pronatec Campo, que contará com a participação de diversas organizações da sociedade civil, movimentos sociais, sindical e de governo.

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